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| Foto: Gettyimages |
Na abertura da reunião anual do comitê executivo do ACNUR, em Genebra, Filippo Grandi afirmou que apenas um cessar-fogo, aliado a um processo de paz significativo, poderá interromper o ciclo de violência, ódio e sofrimento. O alto-comissário da ONU ressaltou que apenas essa medida poderia evitar uma guerra regional de maiores proporções, com impacto global.
Grandi lamentou o grande número de civis deslocados, mencionando centenas de milhares de pessoas no Líbano tentando escapar dos bombardeios israelenses, onde, segundo ele, a distinção entre civis e combatentes praticamente desapareceu.
Ele também denunciou os ataques contra trabalhadores humanitários, mas afirmou que a ONU permanecerá no terreno, destacando que "não se pode aceitar que as vidas dos humanitários sejam vistas como simples danos colaterais ou, pior ainda, que sejam difamadas".
Grandi homenageou um funcionário do ACNUR morto em um ataque aéreo israelense no Líbano no mês anterior e lembrou as 226 vidas de trabalhadores da UNRWA perdidas desde o início do conflito em Gaza.
Após meses de confrontos entre Israel e o Hezbollah, aliado do grupo palestino Hamas, o exército israelense intensificou seus bombardeios no Líbano a partir de 23 de setembro e iniciou operações terrestres no país vizinho em 30 de setembro.
De acordo com a AFP, mais de 1.300 pessoas foram mortas no Líbano desde o início dessa ofensiva, e a ONU estima que mais de um milhão de pessoas foram deslocadas, representando um sexto da população do país.
O Hezbollah reativou a frente de combate na fronteira com Israel após o ataque de 7 de outubro em Israel e o início da guerra em Gaza, em apoio ao Hamas. As trocas de tiros quase diárias resultaram na movimentação de dezenas de milhares de pessoas de ambos os lados da fronteira, antes mesmo da intensificação dos ataques israelenses em setembro.
Israel, por sua vez, prometeu continuar combatendo o Hezbollah até alcançar a "vitória", para permitir que os 60.000 habitantes deslocados das regiões fronteiriças do norte retornem às suas casas, após a constante ameaça dos foguetes disparados pelo grupo libanês.
