Na noite de terça-feira, Venâncio Mondlane fez um anúncio em um comunicado virtual não programado, que atraiu uma audiência histórica de 170 mil pessoas. Ele revelou o plano da terceira fase das manifestações, que ele caracterizou como "estrondosas" e "pesadas", com início previsto para esta quinta-feira em todo o país.
Ao contrário das duas fases anteriores, Mondlane destacou que a manifestação desta quinta-feira (31) não será apenas de rua e culminará em um grande ato em Maputo no dia 7 de novembro, onde espera reunir milhares de pessoas. O lema desta vez é um protesto contra o assassinato do povo moçambicano, além de exigir transparência no processo eleitoral e denunciar os homicídios do advogado Elvino Dias e do representante do PODEMOS, Paulo Guambe.
Diferente das fases anteriores, esta terceira fase se estenderá por oito dias, totalizando 11 dias de protestos, somando-se aos primeiros três. No total, Mondlane prometeu 25 dias de "terror", um número que alude às balas que tiraram a vida de Dias e Guambe.
“A partir de quinta-feira, iniciaremos um ciclo de paralisação total e greves gerais,” declarou, explicando que não pôde se pronunciar na data prevista devido a perseguições. Mondlane deixou o país no dia 24 de outubro. Ele também informou que os manifestantes se dividirão em dois grupos: aqueles que não puderem ir às ruas continuarão a protestar em suas províncias, além de se manifestarem nas Comissões Distritais e Provinciais de Eleições, bem como nas sedes do partido Frelimo.
Além disso, Mondlane expressou a expectativa de que quatro milhões de pessoas se dirijam a Maputo no dia 7 de novembro.
Em sua fala, ele fez uma analogia entre os abusos policiais em Mecanhelas e massacres históricos, comparando a Frelimo a um colonizador do qual é necessário libertar-se: “Precisamos nos libertar do sequestro, do roubo de votos e do assassinato do povo inocente,” disse durante sua transmissão ao vivo de quase 44 minutos no Facebook, que enfrenta ameaças de restrições por suposto incitamento ao ódio. Mondlane, assim, promete 25 dias de terror, igual ao número de balas que levaram à morte de seus associados.
