Protestos em Moçambique: violência e contestação eleitoral
O Centro de Integridade Pública (CIP), uma ONG moçambicana que monitora processos eleitorais, revelou que dez pessoas perderam a vida durante dois dias de protestos em Moçambique, convocados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane.
O relatório do CIP destaca que as manifestações, que ocorreram em cidades como Maputo, Matola e Nampula, foram marcadas por um clima de tensão, resultando em dezenas de feridos e aproximadamente 500 detenções. Três sedes do partido no poder, a Frelimo, foram incendiadas, várias lojas foram saqueadas e veículos foram queimados.
O dia 24 começou pacífico, mas a situação se deteriorou após a divulgação dos resultados eleitorais, que atribuiu 70% dos votos à Frelimo, levando muitos, especialmente jovens, a protestar contra o que consideram uma fraude eleitoral sem precedentes.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou a vitória de Daniel Chapo, candidato da Frelimo, com 70,67% dos votos. Venâncio Mondlane ficou em segundo lugar com 20,32%, mas rejeitou os resultados, que ainda precisam de validação pelo Conselho Constitucional.
Além dele, Ossufo Momade, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), e Lutero Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), também contestaram os resultados, prometendo ações políticas e jurídicas para restaurar a vontade popular. A divulgação dos resultados provocou novos protestos e confrontos com a polícia, especialmente em Maputo. Mondlane anunciou que na próxima segunda-feira revelará os detalhes da "terceira etapa" de sua contestação.
