Pascoal Ronda busca esclarecer controvérsia sobre assassinatos em Maputo
Em uma declaração amplamente criticada, a Polícia da República de Moçambique (PRM), por meio do porta-voz Leonel Muchina, afirmou que os assassinatos de Elvino Dias e Paulo Guambe, ocorridos na noite de sexta-feira em Maputo, foram resultado de uma disputa passional iniciada no mercado Pulmão. Essa alegação, considerada pouco convincente pela opinião pública, levou o ministro do Interior, Pascoal Ronda, a intervir rapidamente. Ele ordenou que a PRM e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) realizassem uma investigação minuciosa e solicitou a colaboração de qualquer pessoa que pudesse fornecer informações relevantes.
Em menos de 24 horas, a PRM divulgou uma narrativa dos eventos, afirmando que as vítimas foram atacadas por indivíduos armados que as abordaram em dois veículos. Segundo Muchina, os homens dispararam várias vezes, resultando na morte dos dois. O porta-voz também mencionou que as vítimas estavam em um momento de confraternização e que o crime derivou de uma suposta discussão sobre assuntos conjugais.
A versão da PRM, no entanto, não convenceu a população e gerou forte contestação, especialmente nas redes sociais. Diante da pressão, Pascoal Ronda fez uma comunicação oficial em nome do Governo, adotando um tom cauteloso e evitando conclusões precipitadas.
Ronda expressou a condenação do Governo ao ato violento e pediu à população que colaborasse com informações relevantes, além de apelar pela calma para evitar desinformação. Ele reconheceu que, em um contexto político pós-eleitoral, marcado por contestações, o incidente poderia ser mal interpretado.
O ministro instou as instituições responsáveis, especialmente a PRM e o SERNIC, a esclarecer rapidamente os fatos e garantir que os responsáveis sejam levados à justiça, sem endossar a conclusão apressada da polícia sobre a natureza do crime.
