Os cidadãos expressam preocupação com a interrupção da internet ocorrida ontem, sexta-feira, e com a violência policial nas manifestações que pedem a restauração da justiça eleitoral. Para muitos, o uso de gás lacrimogêneo, balas de borracha e até tiros reais contra pessoas desarmadas é injustificável.
Após um dia em que os serviços de dados móveis foram suspensos sem explicações das operadoras, os cidadãos expressam descontentamento e questionam a abordagem da polícia em relação às manifestações pacíficas.
"A polícia está agindo de forma inadequada. Em vez de aceitar as manifestações, estão se concentrando na violência. O que estão fazendo é praticamente um crime", afirma um comerciante do bairro de T3, na periferia de Maputo, que prefere permanecer anônimo. Ele levanta diversas questões: "Ontem, uma pessoa foi morta aqui. Quem vai compensar essa vida? Não podemos manifestar quando as coisas não estão certas?".
Mate Josefa, um vendedor informal na capital, defende que os políticos devem buscar um entendimento. "O que estão fazendo é injusto. Isso está prejudicando a vida da população e gerando medo. É uma ameaça ao povo moçambicano", opina.
Segundo dados do Comando Geral da Polícia de Moçambique, mais de 370 pessoas foram detidas em todo o país devido aos protestos contra os resultados eleitorais.
