Na manhã desta segunda-feira, a polícia em Moçambique interrompeu uma manifestação no centro de Maputo, onde estavam reunidas algumas dezenas de pessoas. Para dispersar os manifestantes, a polícia recorreu ao gás lacrimogéneo. O candidato à presidência pela oposição, Venâncio Mondlane, reiterou no domingo, via redes sociais, a convocação para que as manifestações continuem até 7 de novembro, quando está marcada uma grande manifestação contra os resultados das eleições gerais ocorridas em 9 de outubro.
A polícia moçambicana interveio hoje, no centro da capital, Maputo, para conter um protesto que contava com poucas dezenas de participantes, em desacordo com os resultados das eleições gerais que ocorreram no dia 9 de outubro. Segundo a agência Lusa, o ato aconteceu na avenida Mao Tse-Tung, onde os manifestantes, apesar da presença policial, buscavam chegar à estátua de Eduardo Mondlane.
Portando cartazes em sinal de protesto, os participantes mantiveram a intenção de se manifestar pacificamente. Contudo, por volta das 10h50, a polícia lançou gás lacrimogéneo para dispersar o grupo. Momentos depois, na avenida Eduardo Mondlane, os manifestantes novamente foram dispersos com o uso de gás lacrimogéneo.
O candidato à presidência apoiado pelo Podemos, Venâncio Mondlane, convocou uma greve geral e uma série de manifestações em Moçambique, programadas para ocorrer entre 31 de outubro e 7 de novembro. Ele espera que o ponto culminante dessas ações seja uma grande concentração na capital, onde os participantes expressarão sua indignação em relação aos resultados das eleições gerais de 9 de outubro. Mondlane considera essa mobilização como a terceira fase da contestação aos resultados anunciados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). Essa nova onda de protestos é uma continuação das manifestações que ocorreram nos dias 21, 24 e 25 de outubro, que foram desencadeadas pelo assassinato de dois de seus apoiantes, o advogado Elvino Dias e o professor Paulo Guambe, que foram mortos em uma emboscada em Maputo na noite de 18 de outubro.
Em 28 de outubro, a Polícia da República de Moçambique informou que instaurou um processo-crime contra Venâncio Mondlane, em resposta ao aumento da violência que se seguiu às eleições. Mondlane tem utilizado transmissões ao vivo pelo Facebook para convocar os protestos e, embora esteja em local incerto e alegue estar sob ameaça, ele assegura que participará da manifestação programada para 7 de novembro em Maputo.
A CNE de Moçambique declarou, em 24 de outubro, que Daniel Chapo, representante da Frelimo, foi o vencedor das eleições presidenciais, com 70,67% dos votos. Venâncio Mondlane foi posicionado em segundo lugar, com 20,32%, mas ele não aceita esses resultados, que ainda devem ser validados e formalmente proclamados pelo Conselho Constitucional. De acordo com a CNE, Ossufo Momade, presidente da Renamo, obteve 5,81% dos votos, enquanto Lutero Simango, líder do MDM, recebeu 3,21%. Ambos também contestaram os resultados da eleição, com Momade pedindo a anulação da votação e Simango afirmando que os números foram “manipulados” e prometendo tomar medidas políticas e jurídicas para restabelecer a “vontade do povo”.
De acordo com as informações divulgadas pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), a Frelimo aumentou sua maioria na Assembleia, passando de 184 para 195 deputados em um total de 250. Além disso, conquistou todos os 10 cargos de governadores provinciais em Moçambique. O partido Podemos, que até então não estava no parlamento, elegeu 31 deputados, assumindo a liderança da oposição e deixando a Renamo com apenas 20 representantes, uma queda significativa em relação aos 60 que tinham anteriormente. O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) conseguiu manter sua presença na Assembleia, porém reduziu seu número de parlamentares de seis para quatro.
Nesta semana, a Plataforma da Sociedade Civil para Monitoria Eleitoral Decide e a Rede dos Jovens Defensores dos Direitos Humanos pediram à comunidade internacional que "repudiasse a violência policial e o uso de munições reais para dispersar manifestantes". Essas organizações da sociedade civil, que têm acompanhado os protestos e apoiado os manifestantes detidos, também fizeram a monitoria das eleições gerais de 9 de outubro. Relataram que, após a divulgação dos resultados pela CNE, durante os protestos nos dias 24 e 25 de outubro, a polícia disparou contra mais de 30 pessoas, resultando na morte de 11 delas, empregando "balas reais" e detendo "arbitrariamente cerca de 500 indivíduos".
Além disso, as organizações da sociedade civil CIP e CDD estimam que, nos recentes confrontos, pelo menos nove pessoas perderam a vida nas províncias de Nampula e Zambézia durante confrontos com a polícia. Nesta segunda-feira, o Hospital Central de Maputo, o maior do país, informou que pelo menos 11 pessoas ficaram feridas em confrontos que ocorreram entre manifestantes e a polícia desde o dia 31 de outubro até domingo, 3 de novembro.
