Em seu mais recente relatório, intitulado “Perseguidos e Esquecidos?”, a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) incluiu Moçambique entre os 18 países onde a perseguição aos cristãos atingiu níveis preocupantes desde junho de 2022.
Além de Moçambique, a lista inclui Nicarágua, Burkina Faso, Nigéria, Iraque, Irã, Paquistão, Índia, China, Sudão, Eritreia, Mianmar, Síria, Egito, Turquia, Arábia Saudita e Coreia do Norte, evidenciando um aumento da repressão religiosa nessas regiões.
O relatório destaca que, em Moçambique, os ataques terroristas na província de Cabo Delgado são os principais responsáveis pela intensificação da violência contra cristãos e muçulmanos.
“Os incidentes violentos registrados em 2022 – como assassinatos, sequestros, saques e destruição de propriedades – tiveram um aumento de 29%. Esses ataques foram particularmente graves, já que a violência foi dirigida principalmente contra civis (cristãos e muçulmanos), representando 66% de todos os eventos violentos na região, mais do que em qualquer outra parte do continente. Até o momento, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas internamente”, aponta o documento.
A Fundação AIS também alerta para o deslocamento do “epicentro da violência militante islamista do Oriente Médio para a África”, resultando na intensificação da perseguição aos cristãos, que são frequentemente vistos como inimigos do Estado ou da comunidade local.
O relatório acrescenta que, nessas regiões, tanto governos quanto grupos não estatais têm usado legislações existentes ou criaram novas leis que criminalizam atos considerados ofensivos à religião oficial, utilizando-as como ferramentas de repressão contra cristãos e outras minorias religiosas.