Dois jornalistas da CMTV, de Portugal, foram acompanhados por autoridades moçambicanas até o aeroporto para deixar o país, após cobrirem os protestos em Maputo.
Os profissionais, Alfredo Leite e Marc Ricardo Silva, estavam no país a serviço do Correio da Manhã, CMTV e do canal NOW para relatar os tumultos que surgiram após as eleições presidenciais de outubro.
Alfredo Leite informou que a justificativa para a expulsão foi que ambos possuíam apenas visto de turista, ao invés de visto de trabalho, o que, segundo ele, é uma prática comum em situações de crise.
Ele mencionou que esse tipo de movimento acontece frequentemente em países como Ucrânia, Líbano, Israel ou EUA.
Leite enfatizou que esse procedimento é comum em democracias que respeitam a liberdade de imprensa, lamentando que Moçambique não apresente as mesmas condições.
Os jornalistas estavam cobrindo manifestações em Maputo e, no dia seguinte, foram abordados pelas autoridades no lobby do hotel. Seus passaportes foram retidos e, no domingo, foram escortados por agentes de imigração ao aeroporto, onde embarcaram em um voo para Lisboa.
Alfredo Leite observou que a cobertura que realizavam, transmitida ao vivo, começou a incomodar as autoridades encarregadas de supervisionar o trabalho da imprensa.
Na sexta-feira, o MISA Moçambique emitiu uma declaração condenando a expulsão, expressando preocupação com a saída forçada dos jornalistas portugueses que estavam no país para reportar sobre os protestos gerados pela crise pós-eleitoral.
