A Presidência da República estava ciente de que a convocação para a "buzinadela" teria um impacto significativo, caso ocorresse nas imediações do Escritório Presidencial ou do Palácio da Ponta Vermelha.
Por volta das 11 horas, Filipe Nyusi determinou o fechamento da Avenida Julius Nyerere, entre a Praça do Destacamento Feminino, conhecida como "Maringue", e o trecho que liga ao viaduto próximo à Praça Robert Mugabe, nas proximidades da sede do BCI.
A estratégia de evitar o confronto direto parecia bem calculada. Contudo, ao soar do meio-dia, cidadãos começaram a buzinar e entoar cânticos de protesto como "avhayive". Com o desvio obrigatório para a Avenida Marginal, todas as vias alternativas ficaram congestionadas, amplificando o barulho das buzinas. O som, inevitavelmente, alcançou tanto a Presidência quanto o Palácio da Ponta Vermelha. Nem mesmo a presença de uma guarda presidencial fortemente armada conseguiu dissuadir os manifestantes.
Naquele momento, Filipe Nyusi, na residência oficial, foi forçado a ouvir o eco da insatisfação popular, materializado em uma gigantesca "buzinadela". Desta vez, os protagonistas do protesto eram cidadãos ao volante de diferentes veículos, desde modestos Toyota Vitz até luxuosos Range Rover Vogue.
O episódio reforçou mais uma vez a liderança simbólica de Venâncio Mondlane, reconhecido por muitos como a verdadeira voz do povo em um país onde os cidadãos parecem ter encontrado um líder natural.
