Burkina Faso
A junta militar no poder em Burkina Faso anunciou nesta sexta-feira a destituição do primeiro-ministro, Apollinaire Joachim Kyelem de Tambela, e a dissolução do Governo. Em comunicado oficial, o capitão Ibrahim Traoré, líder da junta, informou que os membros do Executivo permanecerão em suas funções até a formação de um novo governo. Nenhuma explicação foi apresentada para a decisão.
Os militares assumiram o controle do país em setembro de 2022, após destituir o regime liderado pelo tenente-coronel Paul Henri Sandaogo Damiba. Este, por sua vez, havia chegado ao poder por meio de um golpe de Estado em janeiro do mesmo ano, que destituiu o então presidente democraticamente eleito, Roch Marc Kaboré.
Burkina Faso continua enfrentando graves desafios de segurança devido à violência extremista islâmica, atribuída a grupos ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. O conflito, que já dura uma década, resultou em mais de 20 mil mortes, segundo o Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), e obrigou mais de 2 milhões de pessoas a abandonar suas casas, sendo mais da metade crianças.
Organizações de direitos humanos denunciam violações cometidas por ambas as partes do conflito, incluindo ataques a civis e deslocamentos forçados em massa. A crise humanitária no país permanece crítica.
