Uma onda de violência tomou conta de Moçambique, com assassinatos, saques e um clima de pânico instaurado. Entre os eventos, destaca-se a presença dos chamados "homens da catana", cuja existência é questionada por alguns, mas que servem para aumentar o medo.
A madrugada de sexta-feira, o blogueiro Beleza em Pessoa realizou uma transmissão de emergência no YouTube, alertando sobre invasões a residências nos bairros periféricos de Maputo. Segundo ele, homens armados com catanas estavam aterrorizando as comunidades. Sem proteção policial, os moradores formaram patrulhas para tentar se defender. "Estamos todos em perigo, e precisamos nos unir para proteger nossas famílias", afirmou o blogueiro.
Quitéria Guirengane, ativista local, também destacou o caos instalado. Ela denunciou que, em meio ao pânico, moradores têm agido por conta própria para capturar suspeitos, mas alertou para o risco de injustiças e excessos. "Parece uma estratégia para criar terror e desviar a atenção das manifestações populares", disse.
Desconfiança sobre os "homens da catana"
Enquanto as denúncias se multiplicam, líderes como Venâncio Mondlane, candidato presidencial oposicionista, afirmam que a narrativa dos "homens da catana" é uma manipulação. Para Mondlane, trata-se de uma estratégia da Frelimo, partido no poder, para gerar medo e enfraquecer os protestos. "Onde estão esses homens? Ninguém os viu de fato", questionou.
Fugas em massa de prisioneiros aumentam o caos
No dia de Natal, mais de 1.500 prisioneiros escaparam de uma prisão de segurança máxima em Maputo, fato que agravou ainda mais o cenário de insegurança. Autoridades apresentaram versões conflitantes sobre o incidente: enquanto o comandante da polícia atribuiu a fuga a "manifestações subversivas", a ministra da Justiça negou qualquer ligação com os protestos, afirmando que o motim começou dentro da cadeia.
Estratégias de desestabilização e manipulação política
Especialistas como Paula Cristina Roque sugerem que o caos é deliberadamente organizado para justificar medidas repressivas e deslegitimar a oposição. A investigadora aponta para possíveis paralelos com outros países, como o Sudão, onde ataques foram usados para desestabilizar movimentos populares.
A situação é ainda agravada por saques e pilhagens, que, segundo alguns relatos, seriam incentivados pelas forças de segurança. O objetivo seria dividir o movimento de protesto e afastar a classe média, anteriormente alinhada com os manifestantes.
Perspectivas e temores
O clima em Moçambique segue tenso, com a população vivendo entre o medo e a incerteza. As acusações contra a Frelimo, envolvendo manipulações e criação de cenários de terror, revelam uma crise profunda, que não se limita às questões de segurança, mas também expõe uma batalha política pelo controle do país.
