Jovens Angolanos Clamam por Líderança Inspiradora em Ato de Solidariedade a Moçambique
Jovens angolanos realizam um ato de vigilância em Luanda, clamando por "verdade eleitoral e direito à vida" em Moçambique. Através de cânticos e discursos, pedem o término da repressão e destacam a luta por justiça, gritando: "Fora FRELIMO, fora MPLA".
Na segunda-feira (21), dezenas de ativistas angolanos realizaram uma vigília em solidariedade ao povo de Moçambique, centrada na "verdade eleitoral e no direito à vida". Durante o ato, os jovens cantaram e fizeram discursos em apoio aos moçambicanos, expressando a aspiração de ter um líder como Venâncio Mondlane, um símbolo de resistência em Moçambique.
O evento ocorreu na Biblioteca "Despadronizada", com a participação de mais de duzentos jovens. Durante a vigília, foram exibidas imagens do advogado Elvino Dias, que representava Inácio Mondlane, candidato presidencial assassinado em Maputo, e de Paulo Guambe, líder do partido Podemos. O momento foi marcado por um minuto de silêncio, seguido pela entoação do hino nacional "Angola Avante".
Fora Frelimo, fora MPLA, fora ditadores.
Kenedy Manuel, um dos organizadores do ato, explicou a motivação por trás da vigília, afirmando que a juventude angolana não poderia permanecer indiferente à realidade em Moçambique: "Precisamos realizar esta vigília para mostrar que os moçambicanos não estão sozinhos; eles têm o apoio de Angola, e nós estamos ao lado deles, independentemente do que acontecer."
Quanto à repressão da manifestação pela polícia moçambicana, Kenedy comentou: "Isso já era esperado; governos autoritários tendem a agir com violência e evitam o diálogo."
Durante a vigília, os participantes também entoaram cânticos de protesto, como "fora FRELIMO, fora MPLA, fora ditadores", destacando a semelhança entre os dois partidos. Matady Mandombe, um dos presentes, afirmou: "Não há diferença.
Ambos os partidos lutaram pela independência e já estão no poder há quase meio século." Eduardo Lubienga acrescentou: "Angola e Moçambique compartilham uma gestão similar.
Moçambique busca se libertar de um sistema, e nós, angolanos, também teremos que fazer isso em breve."
Mondlane angolano?
Eduardo e outros manifestantes expressaram o desejo de ver uma liderança como a de Venâncio Mondlane nas eleições gerais de Angola em 2027. Eduardo enfatizou: "Todos devemos nos inspirar em Mondlane; é essencial ressuscitar esse espírito em nós. Queremos ter um líder como ele." Arikson Amady compartilhou esse sentimento: "Desde que conheci o presidente Mondlane e ouvi suas palavras, percebo que precisamos de um líder que diga: Vamos em frente."
Com velas protegidas por plásticos reciclados para se defender do vento, a chama simbolizava a energia e determinação dos jovens ativistas em apoiar a luta moçambicana. Quanto aos efeitos da vigília em Maputo, Matady Mandombe se mostrou otimista: "Com certeza, isso vai acontecer. Continuaremos a encorajar nossos irmãos a lutar, a não desistir, e também a combater os assassinatos promovidos pelo sistema em Moçambique."
Ao lado da roda dentada da bandeira angolana, cartazes traziam uma frase famosa do rapper Azagaia: "Povo no poder." Os jovens entoaram em coro: "Povo no poder, povo no poder, povo no poder."
