Protestos em Nampula: PODEMOS denuncia 13 mortes e mais de 100 feridos
O partido PODEMOS denunciou que a repressão policial durante os protestos desta semana na província de Nampula resultou na morte de 13 pessoas e deixou mais de 100 feridos. As manifestações, organizadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, continuam a ser marcadas por episódios de violência, com acusações de uso de força letal pela polícia.
Segundo José Ali, delegado do PODEMOS em Nampula, a Polícia da República de Moçambique usou gás lacrimogéneo e munições reais para dispersar os manifestantes em vários pontos da província. “Foram treze mortos e mais de cem feridos em menos de dois dias. Muitas famílias estão de luto e as pessoas têm medo de sair para trabalhar”, relatou Ali.
Contestações contra os resultados eleitorais
Os protestos, que fazem parte da terceira etapa da quarta fase de manifestações, foram convocados após a divulgação dos resultados eleitorais pela Comissão Nacional de Eleições, que atribuiu a vitória ao partido FRELIMO. A oposição, liderada por Mondlane e pelo PODEMOS, questiona a legitimidade dos resultados e denuncia fraude eleitoral.
José Ali afirmou que o partido está em contato com organizações de direitos humanos para denunciar os abusos e garantir que os responsáveis pela violência sejam responsabilizados. “Estamos a documentar tudo o que aconteceu para expor a gravidade da situação no nosso país”, declarou.
"A revolução é irreversível"
O PODEMOS garantiu que as manifestações continuarão até que, segundo o partido, a verdade eleitoral seja restaurada. “A revolução é irreversível. Vamos lutar até que este regime da FRELIMO seja derrubado”, afirmou o delegado.
Entre as estratégias sugeridas para os próximos dias, Mondlane pediu que a população estacione os carros nas ruas durante o horário de trabalho e erga cartazes denunciando a alegada fraude. Entretanto, a repressão policial continua intensa. Além das mortes em Nampula, uma manifestante foi atropelada por uma viatura blindada em Maputo.
A escalada da violência preocupa organizações da sociedade civil e a comunidade internacional, que acompanham de perto a instabilidade no país.
