O governo de Ruanda declarou que "não existem forças armadas ruandesas em Maputo".
O governo de Ruanda, através da porta-voz Yolande Makolo, desmentiu rumores sobre a presença de tropas ruandesas em Maputo, Moçambique. Makolo afirmou que as forças armadas de Ruanda estão exclusivamente na província de Cabo Delgado, onde colaboram com as forças moçambicanas no combate ao terrorismo na região.
As declarações surgem em um contexto de manifestações pós-eleitorais em Maputo, motivadas por contestação aos resultados eleitorais recém-anunciados. Apesar da agitação política na capital, Yolande enfatizou que não há tropas ruandesas na cidade e classificou os rumores como "mentiras".
Desde 2021, mais de 2.000 militares de Ruanda têm estado presentes em Cabo Delgado em operações de combate aos grupos extremistas que atuam na área, uma colaboração que começou após um acordo entre os governos dos dois países. Esta força foi reforçada em abril de 2024 e tem como foco a proteção de projetos importantes, como as operações da TotalEnergies na exploração de gás natural.
A situação em Moçambique continua tensa, com as manifestações indicando descontentamento entre a população em relação ao processo eleitoral. As declarações do governo de Ruanda visam esclarecer a natureza da presença militar do país, afastando especulações que podem agravar ainda mais a situação no terreno.
Maputo experimentou hoje seu primeiro dia de tranquilidade após três dias seguidos de protestos, predominantemente promovidos por apoiadores do candidato presidencial Venâncio Mondlane. Em resposta a essas manifestações, a polícia recorreu ao uso de gás lacrimogêneo para dispersar os aglomerados.
A capital moçambicana viveu uma pausa nas tensões a partir de quarta-feira, depois de um período marcado por interdições em ruas e avenidas, bloqueadas com contêineres de lixo, pneus em chamas e o lançamento de pedras pelos manifestantes, que foram contidos pelas forças de segurança.
Nos bairros periféricos, os mercados mostraram um movimento intenso, com uma demanda superior ao normal para um domingo.
Venâncio Mondlane convocou uma greve geral e protestos por uma semana em Moçambique, iniciando em 31 de outubro, além de marchas previstas para 7 de novembro em Maputo.
O candidato presidencial indicou essa mobilização como a terceira fase da contestação aos resultados das eleições gerais de 9 de outubro, que se seguirá aos protestos realizados nos dias 21, 24 e 25 de outubro. Esses confrontos com a polícia resultaram em pelo menos 10 mortes, dezenas de feridos e 500 detenções, de acordo com o Centro de Integridade Pública, uma ONG que acompanha os processos eleitorais no país.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou em 24 de outubro que Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido que está no poder desde 1975, foi declarado vencedor da eleição presidencial de 9 de outubro, recebendo 70,67% dos votos. Venâncio Mondlane, que conta com o apoio do Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), que não possui assento no parlamento, ficou em segundo lugar com 20,32% dos votos, mas declarou que não aceita esses resultados, que ainda precisam ser validados pelo Conselho Constitucional.
