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| Foto: Luísa Nhantumbo |
No primeiro dia da nova fase de manifestações pós-eleitorais em Moçambique, o jornal Ikweli, localizado em Nampula, foi alvo de disparos de gás lacrimogéneo efetuados pela Unidade de Intervenção Rápida (UIR), uma força de elite da Polícia da República de Moçambique (PRM). O incidente ocorreu por volta das 11h43 desta quarta-feira, conforme relatado pelo próprio veículo de comunicação.
De acordo com a direção do Ikweli, os agentes, que alegadamente perseguiam um manifestante, dispararam a partir de um veículo blindado BTR contra o prédio onde funciona a redação, situada no primeiro andar. Apesar de não haver registro de danos materiais ou feridos, o ataque forçou a interrupção temporária das atividades do jornal. Após o disparo, os agentes deixaram o local sem fornecer qualquer explicação.
MISA Moçambique exige investigação e respeito à liberdade de imprensa
O MISA Moçambique, entidade que defende a liberdade de imprensa, condenou veementemente o ocorrido, classificando o uso de gás lacrimogéneo contra um órgão de comunicação como um ato inaceitável em sociedades democráticas. A organização solicitou uma investigação rigorosa para apurar as razões que levaram à ação da UIR e garantir a responsabilização dos envolvidos.
O MISA também destacou a importância de respeitar os direitos dos jornalistas, especialmente durante a cobertura de manifestações. “Não podemos permitir que formas de violência, como disparos de gás lacrimogéneo, sejam usadas contra profissionais que estão exercendo seu papel fundamental de informar o público”, afirmou a organização.
O caso levanta preocupações sobre a liberdade de imprensa em Moçambique, particularmente em um momento de crise nas províncias do norte do país, como Nampula, onde as manifestações têm sido intensamente monitoradas pela imprensa local.
Fonte: Jornal Ikweli
