TAP ajusta operação para Maputo devido a tensões em Moçambique
Diante do risco de intensificação dos protestos em Maputo no dia 23 de dezembro, a TAP decidiu alterar sua operação para a capital moçambicana. Como medida de segurança, os voos entre Lisboa e Maputo passarão a realizar escala técnica em Joanesburgo, África do Sul, para reabastecimento e troca de tripulação. Essa decisão foi comunicada em uma nota interna da companhia aérea datada de 15 de dezembro.
Segundo o comunicado, a TAP está monitorando de perto a situação em Moçambique, utilizando informações confidenciais, fontes abertas, canais diplomáticos e contatos locais. A medida também busca prevenir possíveis problemas de abastecimento de combustível no aeroporto de Maputo, onde já houve registros de escassez de jetfuel.
O diretor de operações da companhia, Mário Bento, relembrou que, em novembro, a empresa optou por repatriar tripulações de Maputo e suspender temporariamente as operações devido à dificuldade de transporte seguro para os aeroportos, causada por barricadas erguidas pelos manifestantes.
Além disso, ajustes já haviam sido feitos anteriormente, como a antecipação de horários dos voos para evitar protestos e o uso de escolta policial para a segurança das tripulações. Agora, como medida preventiva, as tripulações serão alojadas em Joanesburgo, seguindo o trajeto Lisboa-Maputo-Joanesburgo-Lisboa.
Os horários dos voos poderão sofrer alterações dependendo da disponibilidade de slots nos aeroportos de Joanesburgo e Lisboa. Caso ocorra alguma avaria que impeça a saída da aeronave de Maputo, a TAP afirma que manterá seu plano de contingência, incluindo escolta policial para o transporte das equipes.
Essa mudança ocorre em meio a uma onda de protestos contra os resultados das eleições em Moçambique, marcadas por episódios de violência desde outubro. Os confrontos já resultaram em mais de 130 mortes, centenas de feridos e milhares de detenções. O candidato da oposição, Venâncio Mondlane, contesta a vitória do partido governista Frelimo e tem liderado manifestações que vêm sendo reprimidas de forma severa pelas forças de segurança.
A tensão aumenta à medida que se aproxima a data de proclamação oficial dos resultados eleitorais, prevista para 23 de dezembro, quando o Conselho Constitucional de Moçambique deverá validar ou rejeitar os resultados controversos.