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| Foto: CGTN |
Caso Dias e Guambe: UA reprova os assassinatos e solicita "serenidade".
O presidente da Comissão da União Africana expressou, hoje, sua condenação à violência pós-eleitoral em Moçambique e pediu "calma". Moussa Faki Mahamat solicitou que os líderes políticos mantenham uma "postura pacífica" enquanto aguardam a divulgação dos resultados pelo Conselho Constitucional.
Ele também reprovou os assassinatos de Elvino Dias e Paulo Guambe, apoiadores do candidato presidencial Venâncio Mondlane, ocorridos na última sexta-feira (18.10). O presidente da UA pediu que as autoridades de segurança moçambicanas realizem uma investigação adequada e levem os responsáveis à justiça, conforme um comunicado divulgado pela instituição em Addis Ababa.
Os assassinatos de Dias, advogado de Mondlane, e Guambe, mandatário do PODEMOS, foram rapidamente condenados, inclusive pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. Também houve reações do governo português, da União Europeia e de várias embaixadas em Maputo, como as dos EUA, Canadá, Noruega, Suíça e Reino Unido, exigindo uma resposta judicial ao duplo homicídio.
Moussa Faki Mahamat declarou que está monitorando de perto os desdobramentos das eleições gerais de Moçambique, realizadas em 9 de outubro, e manifestou preocupação com os relatos de violência pós-eleitoral, especialmente os recentes assassinatos. Ele pediu "calma" e "máxima contenção", instando todos os partidos e seus apoiantes a respeitar o processo eleitoral em prol da estabilidade do país.
Nesta manhã, a polícia moçambicana dispersou uma manifestação no centro de Maputo, organizada por Venâncio Mondlane para protestar contra os assassinatos, usando gás lacrimogêneo e disparos para o ar.
As eleições em Moçambique incluíram a sétima votação presidencial, a qual não contou com o atual presidente, Filipe Nyusi, que completou seu limite de dois mandatos, além das sétimas legislativas e as quartas para assembleias e governadores provinciais.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) tem 15 dias após o fechamento das urnas para anunciar os resultados oficiais, prazo que termina na próxima quinta-feira. Após isso, o Conselho Constitucional se encarregará da proclamação final, sem um prazo definido. As comissões distritais e provinciais já finalizaram a contagem, que, segundo os resultados preliminares, favorece a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e seu candidato, Daniel Chapo. No entanto, Venâncio Mondlane contesta os resultados, afirmando que os dados das atas e editais originais contradizem essa vantagem.
Mondlane declarou no dia 17 que, após a divulgação dos resultados, recorrerá ao Conselho Constitucional com as atas e editais originais da votação.
